A POLÍTICA DELYRA
Não, o trocadilho não é original. Vi num adesivo, colado nas paredes de um sindicato, que dizia: “Não Delyra”, e achei muito interessante e inspirador. Claro, trata-se de uma reação, como sempre nas campanhas de oposição, irreverente e criativa. Lembra o “Folla Collupto!” de 1989, em um adesivo que vinha até com o desenho do Cebolinha. Simplesmente genial!
Mas o que é interessante nesse atual é que ele não se dirige ao candidato, mas ao eleitor. É como se inconscientemente as pessoas começassem a perceber que o discurso inovador deve ser dirigido à sociedade, e não ser uma criativa, mas inofensiva admoestação aos nossos inimigos que estão ou querem chegar ao poder.
O grande foco das mazelas sociais e políticas tem aparentemente sua expressão nas campanhas eleitorais fantasiosas, seguidas de conseqüentes governos desastrosos. Mas a raiz do problema está exatamente no delírio social. Uma sociedade alienada é o segredo do tempero para um banquete onde se refestelam as elites políticas dominadoras. É um verdadeiro sazón ideológico enviesado.
E por falar em ideologia, vale lembrar que foi justamente a conquista do poder político pela burguesia, que já detinha de certa forma o poder econômico, que trouxe um dos mais contundentes ideais contemporâneos: o liberalismo político.
Associado a uma bandeira que estampava os valores da liberdade, igualdade e fraternidade, na prática a liberdade virou o cada um por si, a igualdade se reduziu a conceitos jurídicos abstratos e a fraternidade ficou engessada em dogmas religiosos e em capítulos dos livros de Educação Moral e Cívica nas escolas.
Não tiro o mérito da conquista burguesa que nos livrou do absolutismo monárquico, apesar de apenas substituir o R pelo L, ao trocar o despotismo do Rei pela letra fria da Lei, cuja interpretação e aplicação são quase sempre moldáveis aos interesses da classe dominante.
O que enche os olhos é a estratégia política da conquista, sempre permeada pela violência. O símbolo da guilhotina não me deixa mentir. A elite política brasileira levou isso muito à sério. A estratégia política do PT, com seu mensalão, violou consciências e assassinou prefeitos.
Não é mais apenas para se conquistar o poder, mas uma forma de se manter nele. É o misto paradoxal da meta burguesa, com discurso socialista e métodos maquiavélicos... brrr!.. me dá calafrios!
Na nossa miserável terra das Alagoas a lógica é a do trabuco mesmo. Delira quem pensa que não é assim. Vivemos num Estado de Direito, naquilo que seria um governo das leis, onde tudo se resolve com base no artigo 38, combinado com o artigo 12 do Código “Servil”, que regula uma sociedade subserviente, dominada pelo medo e refém de uma classe política criminosa.
E isso sempre será assim enquanto houver na própria sociedade delirante quem considere esses párias seus amigos.
Escrito por Marcelo Jobim às 10h09
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