Jobim Blog


A descrença é uma desilusão provocada pela falta de perspectiva do ser humano quando não encontra no mundo exterior algo compatível com o seu ser.



Escrito por Marcelo Jobim às 17h17
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Site em manutenção

Escrito por Marcelo Jobim às 16h00
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NOVO JOBIM BLOG

Prezados amigos leitores, a partir de agora o Jobim Blog tem uma nova versão. O novo endereço é:

www.marcelojobim.blogspot.com

Espero continuar tendo a satisfação e o prazer da visita de todos vocês sempre. Serão sempre bem-vindos!

Forte abraço.



Escrito por Marcelo Jobim às 10h52
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PAC PA` QUÊ?

O lançamento de um novo programa para promover o crescimento anunciado por Lula é uma demonstração evidente da necessidade de que todo governo que inicia precisa de um voto de confiança. O início do primeiro mandato foi marcado pela resposta à campanha do PSDB à época, pelo menos no discurso, no sentido de que a “esperança venceu o medo”. 

 

Um mensalão depois as coisas ficaram meio difíceis para Lula e seu governo. O medo voltou a assustar, mas nada que abalasse o carisma messiânico do presidente, que, como uma espécie de beato Salu recebeu uma votação maciça novamente para continuar no segundo mandato. 

 

Consolidado o apoio de seus pares do passado (Lula, com certeza, seria uma dos beneficiados do Bolsa Família), a meta agora é agradar a classe média, como bem observou um articulista da FOLHA. A dose de esperança, que venha a garantir o oxigênio nos primeiros momentos do governo, tem que convencer a uma parcela um tanto quanto mais esclarecida da população. 

 

Todas as críticas ao PAC, no entanto, feitas por especialistas, são como uma espécie de crônica anunciada de futuras explicações do governo para um indesejado descumprimento das metas estabelecidas. E é nesse erro que os governos, não só o de Lula, têm insistido: a esperança do início, representada por planos, programas, pacotes, insuflam a bola da governabilidade para depois murcharem com os pregos do fisiologismo e das CPIs. 

 

O segundo mandato de Lula tem que provar que esta tradição está superada e toda a atenção deve estar voltada para essa questão. Se o programa de crescimento for só para fazer crescer uma bolha de sabão colorida da esperança, então não vai servir pra nada.



Escrito por Marcelo Jobim às 18h33
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NADA DE NOVO NO FRONT

O título do romance de Eric Maria Remarque me veio à mente depois das eleições. Sem estabelecer um juízo de valor, mas de realidade, a política brasileira está cada vez mais previsível. A alternância PT – PSDB faz lembrar a política do café com leite da República Velha, quando a Presidência era ocupada alternadamente por políticos de São Paulo e Minas Gerais, no início do século XX.

 

Agora é a vez da versão estrela com tucano, com direito à reeleição e tudo. Sem falar na corrupção, que isso é marca registrada e triste realidade latente em nosso país. Quando se fala em dossiês, CPIs, escândalos, compra de votos, política de juros altos, não se sabe se está se referindo aos 4 anos de Lula ou aos 8 de FHC. E aí fica parecendo banda de forró eletrônico cujos integrantes têm que berrar no meio da música o nome do grupo pra podermos identificá-lo.

 

E é nesse clima de jacaré com cobra d´água, junto a esses forrós mastruz com leite ou limão com mel, que a política da estrela com tucano vai surgindo e virando sucesso nas paradas. Antes, tinha-se a sensação de que ao mudar o presidente poderia se estar mudando efetivamente alguma coisa, mas agora, com a reeleição, o continuísmo é tão evidente que vem até com slogan: “Não troque o certo pelo duvidoso”.

 

Mudam-se as armas e as estratégias, mas nesse front não há nada de novo realmente, a não ser o mesmo clima de guerra pelo poder, onde as batalhas não são nem um pouco justas nem éticas. Cabe identificar os pontos positivos de cada governo para que se possa acender, ou manter acesa, a chama da esperança que já foi desafiada pelo medo em campanhas passadas.

 

Sendo assim, nada de novo no front, pois a esperança continua a mesma, e, ao contrário do ditado popular, ela não morre nunca, e tem que ser sempre renovada para levantar o moral dos legítimos combatentes desta luta por um país melhor: nós, o povo brasileiro.



Escrito por Marcelo Jobim às 14h23
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OS BANCOS E A CONSTITUIÇÃO

A Folha de hoje traz um excelente artigo sobre os lucros fantásticos dos bancos brasileiros. O economista Luiz Cláudio Marcolino lamenta que não haja nenhuma referência a este fato no livro dos recordes, evidentemente que com uma dose de ironia.

O sistema financeiro nacional tem normatização prevista no artigo 192 da Constituição, dispondo que o mesmo (deve ser) estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade. O texto original trazia ainda 8 incisos e 3 parágrafos que foram suprimidos pelo Poder reformador com a Emenda 40, de 2003, que alterou também o próprio caput.

O artigo, no original, remetia à lei complementar (no singular) a disposição sobre matérias elencadas nos incisos. Dentre essas, estava a autorização para o funcionamento das instituições financeiras (inciso I) e dos estabelecimentos de seguro (inciso II), que, segundo o parágrafo 1.°, tal autorização seria inegociável e intransferível. O texto atual se limita apenas a remeter a leis complementares (no plural) a regulação do sistema financeiro nacional.

Ou seja, parece-me que o constituinte originário, ao estabelecer o que uma lei complementar reguladora iria tratar, tinha a intenção de dar uma maior garantia de estabilidade constitucional ao sistema financeiro, até para assegurar a eficácia dos objetivos dispostos no caput do artigo (promover o desenvolvimento equilibrado do País e servir aos interesses da coletividade), milagrosamente mantidos com a reforma.

É evidente que a supressão dos artigos e incisos, seguidos de uma referência a leis complementares indicadas para regular o sistema financeiro, sem orientação da Constituição sobre as matérias a serem reguladas, é justamente para dar um maior espaço de poder ao legislativo ordinário, enquanto Poder constituído, limitado (mas nem tanto) pelo Poder originário.

A Emenda 40 é mais uma evidência de que as reformas constitucionais no Brasil se dão sempre por interesse dos poderes constituídos, que, por sua vez, representam na verdade os interesses das elites econômicas do País.

A tese de que o sistema financeiro não pode ser engessado pela rigidez constitucional não procede, até porque a sua flexibilização não teve como conseqüência ainda nenhum desenvolvimento equilibrado, muito menos nada foi feito para servir aos interesses da coletividade. Houve, sim, um inchaço desproporcional dos lucros dos bancos, atendendo aos interesses dos grandes banqueiros.



Escrito por Marcelo Jobim às 11h40
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SANGUESSUGAS II

A CPI dos Sanguessugas concluiu seu trabalho de investigação e vai recomendar ao Conselho de Ética da Câmara e do Senado a abertura de processo de cassação contra 72 parlamentares. Contrariando o que foi divulgado na revista ISTOÉ desta semana, o deputado Helenildo Ribeiro não será um dos processados, pois foi absolvido pela CPI, apesar das provas colhidas pela revista. De Alagoas, a denúncia recai contra o deputado JOÃO CALDAS.

Confira a lista dos denunciados pela CPI:

Adelor Vieira (PMDB-SC)
Agnaldo Muniz (PP-RO)
Alceste Almeida (PTB-RR)
Almeida de Jesus (PL-CE)
Almerinda de Carvalho (PMDB-RJ)
Almir Moura (PFL-RJ)
Amauri Gasques (PL-SP)
Benedito Dias (PP-AP)
Benjamin Maranhão (PMDB-PB)
Cabo Júlio (PMDB-MG)
Carlos Dunga (PTB-PB)
Carlos Nader (PL-RJ)
Celcita Pinheiro (PFL-MT)
César Bandeira (PFL-MA)
Cleonâncio Fonseca (PP-SE)
Cleuber Carneiro (PTB-MG)
Coriolano Sales (PFL-BA)
Coronel Alves (PL-AP)
Edir Oliveira (PTB-RS)
Edna Macedo (PTB-SP)
Eduardo Seabra (PTB-AP)
Elaine Costa (PTB-RJ)
Enivaldo Ribeiro (PP-PB)
Érico Ribeiro (PP-RS)
Fernando Gonçalves (PTB-RJ)
Heleno Silva (PL-SE)
Ildeu Araújo (PP-SP)
Irapuan Teixeira (PP-SP)
Iris Simões (PTB-PR)
Isaías Silvestre (PSB-MG)
João Batista (PP-SP)
João Caldas (PL-AL)
João Correia (PMDB-AC)
João Grandão (PT-MS)
João Magalhães (PMDB-MG)
João Mendes de Jesus (PSB-RJ)
Jonival Lucas Junior (PTB-BA)
Jorge Pinheiro (PL-DF)
José Divino (PRB-RJ)
José Militão (PTB-MG)
Josué Bengston (PTB-PA)
Junior Betão (PL-AC)
Laura Carneiro (PFL-RJ)
Lino Rossi (PP-MT)
Marcelino Fraga (PMDB-ES)
Marcondes Gadelha (PSB-PB)
Marcos Abramo (PP-SP)
Marcos de Jesus (PFL-PE)
Maurício Rabelo (PL-TO)
Neuton Lima (PTB-SP)
Nilton Capixaba (PTB-RO)
Osmânio Pereira (PTB-MG)
Pastor Amarildo (PSC-TO)
Paulo Baltazar (PSB-RJ)
Paulo Feijó (PSDB-RJ)
Paulo Gouveia (PL-RS)
Pedro Henry (PP-MT)
Raimundo Santos (PL-PA)
Reginaldo Germano(PP-BA)
Reinaldo Betão (PL-RJ)
Reinaldo Gripp (PL-RJ)
Ricardo Rique (PL-PB)
Ricarte de Freitas (PTB-MT)
Robério Nunes (PFL-BA)
Vanderlei Assis (PP-SP)
Vieira Reis (PRB-RJ)
Wanderval Santos (PL-SP)
Wellington Fagundes (PL-MT)
Wellington Roberto (PL-PB)
Sen. Magno Malta (PL-ES)
Sen. Ney Suassuna (PMDB-PB)
Sen. Serys Slhessarenko (PT-MT)



Escrito por Marcelo Jobim às 14h15
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SANGUESSUGA

A política brasileira está empestada de sanguessugas. Segundo um site onde pesquisei, a sanguessuga é um anelídeo da sub-classe Hirudinea (também chamados aquetas) que se alimenta de sangue de outros animais (hematófago). São animais hermafroditos, desprovidos de cerdas e que possuem ventosas para sua fixação. São assim chamados por produzirem uma substância anticoagulante denominada hirudina. Existem mais de 300 espécies.

 

Que coincidência, já se ouviu falar que no Congresso existiriam também 300 picaretas. Hoje, fui ler a revista ISTOÉ dessa semana e vi, em matéria exclusiva, a relação com fotos de alguns dos deputados sanguessugas. Qual não foi minha surpresa quando me deparei com um dos parlamentares anelídeos, justamente aquele cuja assessoria irresponsável enviou uma mensagem dando os parabéns a meu pai pelo seu aniversário, 6 meses depois da data e 8 anos depois de seu falecimento. É, deputado, com toda essa sua sede de sangue, meu pai não votaria no senhor nem morto!... rs.

 

Bem, já que a ISTOÉ publicou a foto, por que eu não poderia publicar aqui também? Vejam como os políticos mudam de aparência depois de eleitos:

 

 



Escrito por Marcelo Jobim às 09h39
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CINISMO

A assessoria do Deputado Helenildo Ribeiro tá “variando das idéia”.  Mandaram aqui pra casa uma mensagem parabenizando meu pai pelo seu aniversário. Só que tem dois detalhes que eles, é lógico, nem sequer verificaram, como não verificam nunca quando mandam essas mensagens recheadas de falsidade pra qualquer um: primeiro, o aniversário de meu pai é em fevereiro. Pelo menos era, pois o segundo detalhe é que meu pai faleceu há 8 anos. Esses imbecis gastam um dinheiro danado, muitas vezes dinheiro público, pra fazerem propagandas idiotas e inócuas justamente porque não têm nada de positivo para mostrar. Passam o mandato todo coçando o saco, enchendo o rabo de dinheiro à custa do trabalhador brasileiro e vêm agora, em época de eleições, pedir votos com métodos ridículos e que demonstram o total desinteresse com o eleitorado. Meu pai não vota mais, deputado. Há muito tempo que deixou esse mundinho medíocre que a gente vive e que só vai melhorar quando cada um de nós, eleitores e cidadãos honestos, souber a importância de um voto consciente e não se enganar com essa malta canalha que nos pede voto cínica e irresponsavelmente de 4 em 4 anos.



Escrito por Marcelo Jobim às 15h55
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DICAS

Caros leitores do Jobim Blog, participem da enquete sobre as eleições em Alagoas no excelente site do Observatório Alagoano. Há um link de acesso aqui neste blog, abaixo, à direita, no item "Outros Sites".

Até lá!



Escrito por Marcelo Jobim às 10h47
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A POLÍTICA DELYRA

Não, o trocadilho não é original. Vi num adesivo, colado nas paredes de um sindicato, que dizia: “Não Delyra”, e achei muito interessante e inspirador. Claro, trata-se de uma reação, como sempre nas campanhas de oposição, irreverente e criativa. Lembra o “Folla Collupto!” de 1989, em um adesivo que vinha até com o desenho do Cebolinha. Simplesmente genial! 

 

Mas o que é interessante nesse atual é que ele não se dirige ao candidato, mas ao eleitor. É como se inconscientemente as pessoas começassem a perceber que o discurso inovador deve ser dirigido à sociedade, e não ser uma criativa, mas inofensiva admoestação aos nossos inimigos que estão ou querem chegar ao poder. 

 

O grande foco das mazelas sociais e políticas tem aparentemente sua expressão nas campanhas eleitorais fantasiosas, seguidas de conseqüentes governos desastrosos. Mas a raiz do problema está exatamente no delírio social. Uma sociedade alienada é o segredo do tempero para um banquete onde se refestelam as elites políticas dominadoras. É um verdadeiro sazón ideológico enviesado. 

 

E por falar em ideologia, vale lembrar que foi justamente a conquista do poder político pela burguesia, que já detinha de certa forma o poder econômico, que trouxe um dos mais contundentes ideais contemporâneos: o liberalismo político. 

 

Associado a uma bandeira que estampava os valores da liberdade, igualdade e fraternidade, na prática a liberdade virou o cada um por si, a igualdade se reduziu a conceitos jurídicos abstratos e a fraternidade ficou engessada em dogmas religiosos e em capítulos dos livros de Educação Moral e Cívica nas escolas. 

 

Não tiro o mérito da conquista burguesa que nos livrou do absolutismo monárquico, apesar de apenas substituir o R pelo L, ao trocar o despotismo do Rei pela letra fria da Lei, cuja interpretação e aplicação são quase sempre moldáveis aos interesses da classe dominante. 

 

O que enche os olhos é a estratégia política da conquista, sempre permeada pela violência. O símbolo da guilhotina não me deixa mentir. A elite política brasileira levou isso muito à sério. A estratégia política do PT, com seu mensalão, violou consciências e assassinou prefeitos. 

 

Não é mais apenas para se conquistar o poder, mas uma forma de se manter nele. É o misto paradoxal da meta burguesa, com discurso socialista e métodos maquiavélicos... brrr!.. me dá calafrios! 

 

Na nossa miserável terra das Alagoas a lógica é a do trabuco mesmo. Delira quem pensa que não é assim. Vivemos num Estado de Direito, naquilo que seria um governo das leis, onde tudo se resolve com base no artigo 38, combinado com o artigo 12 do Código “Servil”, que regula uma sociedade subserviente, dominada pelo medo e refém de uma classe política criminosa. 

 

E isso sempre será assim enquanto houver na própria sociedade delirante quem considere esses párias seus amigos.



Escrito por Marcelo Jobim às 10h09
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OPINIÃO

"A violência das últimas semanas, entretanto, não pode ser considerada filha direta da impunidade, mas, ao contrário, fruto da própria punição. A experiência tem reiteradamente mostrado que a expressão costuma ser invertida: penas mais rígidas é que tornam os tempos mais duros".

MARCELO SEMER
Juiz de direito em São Paulo e presidente do
Conselho Executivo da Associação Juízes para a Democracia
Fonte: Folha de S. Paulo



Escrito por Marcelo Jobim às 14h57
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A VINGANÇA É SEMPRE BANDIDA

Não importa de que lado esteja a violência. Não importa o discurso que supostamente a legitime. A violência é sempre vingança e a vingança é sempre bandida. Quando criminosos matam policiais, são bandidos; quando policiais matam criminosos, são justiceiros. Sutil distorção de valores, promovida por uma visão polarizada da natureza. De um lado, o mal; de outro, o bem.

 

Mas o bem não usa distintivos e a natureza bandida da ação não está em quem a pratica, e sim na ação em si mesma. A confusão teve início alguns séculos atrás, quando o Estado personificou a força legítima (sempre justa e boa), que seria utilizada contra a parte doente da Sociedade. A cena de um policial morto, que rodou a internet, serviu de pano de fundo para o discurso que procura questionar a temática dos Direitos Humanos. Por trás, está a mensagem subliminar: “o bem foi atacado pelo mal”. Assim como a imagem de rebeliões em presídios causa a seguinte reflexão no cidadão mediano: “Onde já se viu: bandidos querendo ter direitos?”

 

O fenômeno recente ocorrido em São Paulo, de violência generalizada, mostrou a fragilidade das instituições, principalmente as encarregadas da segurança pública. Mas evidenciou outra realidade: a de que o poder público nunca foi, nem poderá ser o paradigma do justo. Evidenciou, ainda, que o Estado tende sempre a reprimir com violência o mal que se permitiu desenvolver. E a sociedade, por sua vez, se vitimiza porque legitima o carrasco. Eis o círculo vicioso da criminalidade.

 

Mas o Estado vingativo não é um “privilégio” brasileiro, pois forças ditas legítimas também se dão ao luxo de promover barbáries em todo canto do mundo, tudo em nome da Democracia (no passado, era em nome de Deus). E o pior: no interior de outras nações. É o caso dos militares americanos que mataram inocentes em Bagdá, entre eles mulheres e crianças, após uma bomba ter matado um dos seus pares.

 

A Folha de S. Paulo de Hoje faz a seguinte observação em seu editorial:

“Represália? Execução sumária? Ocultação de informações? Análise de certidões de óbito? Os termos são familiares a quem acompanha as difíceis investigações em torno da ação da PM paulista, após os ataques do PCC. No auge da violência, aproximaram-se com pertinência as situações em São Paulo e em Bagdá”.

Para finalizar, só me resta recordar o saudoso Raulzito, roqueiro maluco beleza, quando cantava: “Tá rebocado, meu ‘cumpadi’. Como os donos do mundo piraram. Eles agora são vítimas e carrascos do próprio mecanismo que criaram”.



Escrito por Marcelo Jobim às 10h30
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POESIA

Ecos

 

A minha mente mente

Conspira e pira

Cria mentira e tira

Minha paciência, ciência

De que sou capaz de paz

Mas mesmo assim, sim

Eu sobrevivo vivo

E assim sustento, tento

Viver o agora, ora!

Que me interessaria?... Ria!

O que passou passou

Eu sou só o sol

Que me ilumina a mina

Tão profunda e funda

Consciência eterna e terna

Suave sensação de mim

 

Marcelo Jobim



Escrito por Marcelo Jobim às 18h17
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MATANDO INVISÍVEIS

Hoje, assisti ao documentário “Ônibus 174”. Retrata o seqüestro de um ônibus com reféns, ocorrido no Rio de Janeiro, em 2000. O saldo foi uma refém morta devido a uma ação infeliz de um policial que, ao tentar alvejar o seqüestrador, acertou a garota que estava em seu poder. As cenas são dramáticas: o desespero das vítimas dentro do ônibus, a expressão de loucura do seqüestrador, colocando a arma na cabeça, na boca das pessoas. E o pior: tudo real.

 

Mas, só um olhar sensível e racional ao mesmo tempo pode identificar o drama não nas cenas reais, mas em toda realidade social que nos leva a fatos dessa natureza. O próprio documentário busca ir além do fato em si mesmo. Toda análise de um fato isolado, desconectado com suas nuances psicossociais, do histórico das personagens envolvidas, tende a ser sempre desqualificado. Principalmente quando esse fato envolve um dos mais graves problemas sociais: a criminalidade.

 

O que diferencia o documentário Ônibus 174 é a personalização da figura principal. Sandro presenciou, quando criança, a mãe ser violentada e morta a facadas. Nunca conheceu o pai. Passou um tempo morando com a tia, mas logo fugiu de casa para viver na rua. Foi um dos sobreviventes de outra tragédia nossa de cada dia. O assassinato de meninos de rua, que ficou conhecido como “a chacina da Candelária”, chocou (nem tanto, né?) a sociedade.

 

É triste ver o depoimento de uma menina de rua contando o que eles sofrem. Conta que é costume passarem de madrugada pelos meninos dormindo na calçada e arremessar uma pedra, tipo paralelepípedo, para acertar em cheio a cabeça de um deles. Pessoas que sentem o mórbido prazer de ver miolos espatifados, e ainda exultarem pela mira precisa. Daí, quando aparece um Sandro apontando uma arma na cabeça de jovens de “classe média baixa” que estão pegando tranqüilamente um ônibus para irem à faculdade, ou para visitarem parentes em outros bairros, coisas simples que Sandro jamais teve, surgem a revolta, os estigmas e a reação violenta.

 

No desfecho do fato lamentável e triste, Sandro capturado, e se podia ouvir a voz da multidão: “Lincha! Lincha!” Como bem observa o documentário, a polícia serve para manter à força a invisibilidade dos Sandros da vida. Eles são invisíveis no dia a dia, tanto que são mortos na madrugada e ninguém liga para isso. Tentam mostrar arte nos sinais de trânsito, o último recurso de uma vida digna, mas nossos vidros estão fechados. E quando surge um que tenta realçar sua existência de forma desesperada e violenta, é preciso a todo custo colocá-lo de volta na sua insignificância, na sua invisibilidade. Matem a todos, portanto; é mais simples.

 

Geísa, a refém morta, bem como os demais que estavam naquele ônibus, não foram vítimas de Sandro. Pensar assim é uma visão míope, mesquinha, desumana, e burra da realidade. Eles foram vítimas de nossa indiferença e insensibilidade. De muitos de nós que somos inertes na solidariedade e ativos na violência reativa e cômoda frente aos mais elementares problemas sociais.



Escrito por Marcelo Jobim às 13h28
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